quinta-feira, 6 de agosto de 2009

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Retornei a lugares que não ia há tempos. Revivi rituais que me pareceram muito estranhos, apesar de vividos tão intensamente há tempos atrás. Pensei inevitavelmente em coisas que, há dias, encontrava meios de não pensar.
Em instantes que pareceram eternos, pensei no passado, lamentei o presente, temi o futuro. Questionei se o caminho só se faz caminhando, entre erros e acertos ou se a gente já vem predestinado a ser o que se é, a carregar cada um o quinhão que foi destinado. E quem determina quem chora e sofre e quem sorri? E quem determina se o indivíduo vai ter uma vida longa e feliz ou se vai ter sua vida interrompida precoce e bruscamente? E quem determina se a gente vai merecer uma segunda chance ou se vai ser condenado sem direito a defesa?
Tive uma vontade louca de escrever, como há tanto não sentia! Tentativa de organizar o caos e aliviar a angústia presente, mudar o passado, buscar a redenção, zerar tudo pra ter direito a começar, de fato, de novo, apreender aquelas verdades que vinham sem nenhum "mas" para aprender e no futuro não mais errar. E quem disse que dá pra começar de novo mesmo? E não é com base no seu passado que as pessoas julgam se você presta ou não? Não é com base nele que as pessoas ficam só esperando o momento da sua recaída? E não é com base no passado que as promessas de fazer tudo diferente no futuro não tem sequer a chance de tentar se concretizarem? Me senti cansada das lutas que tenho travado com os outros e, nos últimos tempos, e principalmente, comigo. Me senti exausta com o peso das culpas que carrego. Me senti cansada de tentar me encontrar em meio a tanto medo e confusão. Me senti só. Me senti triste por estar vendo apenas o quanto a vida é uma peleja. Me senti mal por estar me sentindo tão mal. E mesmo procurando ouvir outras vozes que diziam que outros sofrem dores bem piores, queria gritar também para estes, que o que dói aqui é mais importante por que dói em mim.

E no final de tudo, até me senti bem em me permitir pensar aquilo tudo, mas continuo sem entender o que se passa aqui dentro.

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